A Faculdade de Administração e Ciências Contábeis (FACC) passou, nos últimos meses, por uma situação absurda: com a falta de estrutura, correu o risco de não ter salas o suficiente para iniciar o período. A estrutura da FACC sempre foi deficitária. Não tem salas de professores e depende das salas de aula dos outros cursos para abrigar todas as suas disciplinas. Esses outros cursos, a cada começo de semestre, disponibilizavam suas salas, nos horários em que ficariam vazias, em um chamado “condomínio de salas”, e os cursos demandantes, entre os quais Administração e Ciências Contábeis, utilizam essas salas nos horários livres em sua grade horária. Os cursos da Praia Vermelha ofertantes de salas decidiram acabar com o condomínio de salas para o próximo semestre. Junto a isso, o reitor aceitou a entrada do curso de Biblioteconomia junto aos cursos de Administração e Ciências Contábeis, que já não teriam salas o bastante sozinhos.
Em conversa com o coordenador do curso de Administração, este deu os seguintes dados: a FACC tem 8 salas. Para que o curso funcione da maneira como está, com aulas com noventa alunos, precisaríamos de 18 salas, longe do necessário para funcionar como deveria: 25. Se considerarmos, ainda, a Biblioteconomia, precisaríamos de 37 salas.
Era essa a situação quando o reitor se reuniu com a diretora da FACC, Profa Aracéli Ferreira, e os coordenadores e chefes de departamento dos cursos de Administração e Ciências Contábeis, além do coordenador e chefe de departamento do recém-formado curso de Biblioteconomia.
Nessa reunião, o reitor Aloísio Teixeira prometeu tudo aos membros presentes: prometeu restaurar o condomínio de salas até o fim do ano, reformar o 2o andar do anexo do CFCH, criando mais 7 salas, e a mudança de um evento internacional de matemática, que até então aconteceria no Fundão, para a Praia Vermelha, ocasionando na criação de mais um novo prédio para julho de 2006. Ao término deste evento, o prédio ficaria para a reitoria, que cederia as salas inicialmente para quem precisasse mais, no caso a FACC.
O reitor prometeu muitas coisas, mas de nada adiantam promessas se estas não forem cumpridas. A obra no 2o andar do anexo do CFCH foi completada, mas ainda não resolve completamente o problema das salas, já que mesmo que todas as salas sejam utilizadas pelos cursos de Administração e Ciências Contábeis, ainda assim seriam apenas 15 salas no total, insuficiente como pudemos ver nos dados acima.
Além disso, o condomínio ainda é somente uma medida temporária, e este vem sendo tratado com total descaso, com cursos declarando como ocupadas salas em horários em que estas estão vazias. Nesse começo de período, já foi mostrada novamente a falta de compromisso dos coordenadores desse recurso, já que, para ocupar o prédio novo, “de repente” surgiram milhares de salas no condomínio, e as salas do prédio novo, que até então seriam utilizadas pela FACC, acabaram novamente sendo tomada pelos outros cursos, com a grade horária dos cursos da FACC sendo espalhada por todo o campus.
Por isso, a discussão continuou a ser feita na faculdade sobre que rumos seguir caso o problema continuasse. No dia 21 de junho, os representantes dos estudantes de Administração organizaram a assembléia geral de alunos da FACC com presença de cerca de 200 alunos, a primeira em muito tempo, em que todos os alunos presentes discutiram o problema e votaram em estratégias de ação caso os problemas não fossem resolvidos.
Ainda somente com promessas, os alunos compareceram de luto à reunião do CEG em que foi votada a redução de vagas proposta pela FACC. No início da reunião, no entanto, os estudantes foram surpreendidos pela discussão da aceitação ou não do curso de biblioteconomia junto a FACC ter sido colocado como item extrapauta, sobre o qual nem o representante da FACC nem o do IE havia sido informado. No final, após muita discussão, os conselheiros se limitaram a “empurrar com a barriga” o problema, jogando a responsabilidade para a administração da faculdade. No final, restou aos estudantes presentes a sensação da incerteza se deveríamos comemorar ou lamentar.
Quando finalmente foi colocado em pauta a redução de vagas, em sinal de protesto os estudantes se colocaram a favor dessa medida, dizendo em seu discurso que viam nessa medida a única possível para resolver os problemas estruturais da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis, dada a completa falta de compromisso com a qualidade de ensino por parte dos órgãos responsáveis. Apesar do pedido ter sido negado, foi proposto pelo conselheiro do DCE o encaminhamento de uma comissão para resolver de uma vez por todas os problemas estruturais, com participação também dos CAs. Apesar do pró-reitor ter se comprometido a levar esse encaminhamento para votação em no máximo duas reuniões, várias semanas se passaram e ainda esse item não foi incluído na pauta.
Os alunos de Administração e Ciências Contábeis continuarão na luta, se conscientizando da necessidade de mobilização e se unindo cada vez mais para continuar pressionando o reitor até que seja instaurada uma qualidade de ensino condizente com o nome UFRJ dentro dos cursos da FACC.
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